Educação Sustentabilidade

Ação da APA da Baleia Franca e parceiros realiza retirada de espécies exóticas invasoras no Rosa Sul

Dentre as espécies que passam manejo na área de Restinga da Praia do Rosa Canto Sul, no dia 31 de agosto, estão a Casuarina, a Piteira, o Chorão da Praia e o Aspargo

Por Redação Saberes EcoLab
Foto Capa: Adriano Dorini, NOTALO Fotos

Em uma ação de capacitação que acontece o Canto Sul da Praia do Rosa (Imbituba-SC), no dia 31 de agosto, serão retiradas da flora de Restinga espécies exóticas invasoras. A ação é realizada pela equipe da APA da Baleia Franca, o Instituto Horus, o Conselho Comunitário de Ibiraquera (CCI), com apoio de parceiros e da Prefeitura de Imbituba, de acordo com a Estratégia Nacional para Espécies Exóticas Invasoras (2019).

A ação é aberta para a comunidade e acontece como plano de defesa à biodiversidade e às espécies nativas da Restinga da Praia do Rosa. Para entender melhor sobre o tema, a equipe da Saberes conversou com a equipe da APA da Baleia Franca.

Por que é preciso retirar as Espécies Exóticas Invasoras?

Uma espécie exótica invasora é aquela cuja a introdução ou dispersão ameaça a diversidade biológica. Em outras palavras, ela chega – por vezes trazida pelo homem ou seus impactos -, se alastra e sufoca o que já estava se desenvolvendo ali de forma natural e com uma biodiversidade importante para o local e para o funcionamento de todo nosso ecossistema.

De acordo com o Projeto Pró-Espécies: Todos contra a Extinção, “as espécies exóticas invasoras têm sido transportadas, de forma intencional e acidental, entre regiões, países e ecossistemas num ritmo crescente devido a intensificação do comércio, de viagens e do turismo.

Elas estão presentes em praticamente todos os ecossistemas, ameaçando a sobrevivência de espécies nativas e o equilíbrio dos ambientes naturais.

“Espécies exóticas invasoras estão entre as principais causas diretas de perda de biodiversidade e extinção de espécies, juntamente com mudanças climáticas e perda de hábitat e poluição, fatores com os quais podem ter efeitos negativos sinérgicos.”

Victor Fernando Volpato Pazin, equipe ICMBio APA da Baleia Franca

“Neste sentido são necessárias estratégias efetivas para o manejo destas espécies, como a elaboração e implementação de planos de prevenção, erradicação, controle e monitoramento de espécies exóticas”, completa Victor. 

Para saber mais sobre os impactos negativos das espécies exóticas invasoras sobre a biodiversidade, acesse:

O que acontece na área de retirada das espécies exóticas invasoras?

“Após a supressão das espécies exóticas, a regeneração nas áreas de dunas e restinga se dará naturalmente, porque há um banco de sementes de espécies nativas no entorno, as quais são as mais adaptadas ao ambiente. A ausência das exóticas favorecerá a recuperação da vegetação nativa.  

O local será monitorado pelo ICMBio e parceiros até a sua recuperação.  Caso haja uma posterior necessidade de intervenção para acelerar a recuperação, através do plantio de plantas nativas por exemplo, o plantio pode ser uma estratégia. 

A regeneração natural das áreas onde as exóticas serão manejadas será objeto de pesquisa científica.” informa a equipe do ICMBio.

O que acontece no Rosa Sul?

A atividade de manejo no Rosa Sul faz parte de um curso de capacitação de manejo de espécies exóticas para servidores do ICMBio, à cargo do Instituto Hórus, de Florianópolis. A priori a comunidade foi convidada a estar presente na ação, onde será feito uma breve explicação do trabalho. Como a atividade envolve, para as casuarinas, o uso de motosserras e herbicida, para evitar a rebrota, o ICMBio estará mais à frente do manejo. 

Material de educação ambiental, como cartilhas e folders, sobre manejo de espécies exóticas nas Unidades de Conservação Federais, estão sendo produzidos e serão distribuídos em breve, antecipando as próximas ações, que serão no bojo de um Projeto maior, que será definido e discutido com entidades parceiras e demais setores da sociedade que tiver interesse na agenda. 

Saiba mais

A casuarina  

A casuarina (Casuarina equisetifolia) é nativa da Austrália, mas é reconhecida como invasora em várias partes do mundo, incluindo o Brasil.  

A casuarina é a principal espécie objeto de manejo do curso em questão, uma vez que é a espécie exótica mais amplamente distribuída na APA da Baleia Franca, possui alto potencial de dispersão de sementes, e atinge diretamente Áreas de Preservação Permanentes – APP´s, como nas dunas frontais e o ambiente de restinga, dificultando o estabelecimento da vegetação nativa protetora de dunas. 

A espécie foi introduzida ao longo do litoral catarinense em décadas passadas, no intuito de conter a movimentação das areia das dunas, assim como quebra-vento e para sombreamento.  

A espécie se adaptou bem ao ambiente de dunas frontais e se dispersou rapidamente ao longo do litoral, e hoje são uma das maiores ameaças à biodiversidade nos ambientes costeiros, impedindo que a vegetação nativa se estabeleça e “estabilize” o ambiente natural. A casuarina é relativamente bem estudada em todo mundo, devido ao seu potencial invasor, dispersor e degradante, e é vasta na literatura a lista de consequências negativas provocada pela espécie fora de seu local de origem. 

Assim, a casuarina, ao contrário do que é pensado na maioria das vezes por quem não conhece a espécie, causa erosão na costa e destruição das dunas frontais, uma vez que a vegetação fixadora de dunas não consegue se estabelecer devido ao sombreamento das casuarinas, impedindo o acesso à luz solar. O estabelecimento das casuarinas causa perda da biodiversidade e das funções ecossistêmicas dos ambientes naturais onde invadiram.   

Atenção especial vem sendo dada às casuarinas devido às mudanças climáticas, por ocasião da ocorrência de eventos climáticos extremos, avanço do mar, a ação das marés, ciclones, etc. Assim, áreas que não possuem as dunas estabilizadas, e que contém presença de exóticas, como as casuarinas, estão sendo fortemente erodidas, levando risco à ocupação humana próximo à costa e à infraestrutura urbana, através de alagamentos e da ação das marés, já que o ambiente de dunas antes existentes, vegetada, estabilizada, diversa, já não cumpre mais sua função protetiva. 

Apenas com a erradicação da casuarina será possível restaurar o ecossistema da forma mais próxima possível do que era antes dos processos de degradação, os quais foram e vem sendo causados, direta e indiretamente, pela ação humana, através da intervenção irregular em ambientes que deveriam ser protegidos. 

Desta forma, um esforço conjunto da sociedade para o controle da casuarina, não só em unidades de conservação, deve ser priorizado em ações conservacionistas. 

Por Glaucia Rosa Damazio
Redação Saberes EcoLab


Fontes: Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação Ambiental, APA da Baleia Franca
Foto Capa: Adriano Dorini, NOTALO Fotos

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